Ao comparar baterias, dois números precisam aparecer lado a lado: capacidade de energia, em kWh, e potência, em kW. O primeiro ajuda a estimar durante quanto tempo uma carga pode ser atendida. O segundo indica a potência que o sistema consegue fornecer em determinado momento. O DOE distingue esses parâmetros porque eles atendem a necessidades diferentes. Leia a explicação técnica sobre armazenamento.
Para conversar com o instalador, transforme “autonomia da casa” em uma lista de cargas e horas desejadas. O cálculo ilustrativo abaixo organiza essa conversa; o dimensionamento exige avaliação profissional.
Um exemplo de consumo durante seis horas
Imagine que as cargas selecionadas apresentem os seguintes consumos médios hipotéticos no período:
- Iluminação: 0,06 kW durante 6 horas, total de 0,36 kWh
- Equipamentos de comunicação: 0,02 kW durante 6 horas, total de 0,12 kWh
- Computador: 0,08 kW durante 4 horas, total de 0,32 kWh
- Refrigeração: média de 0,10 kW durante 6 horas, total de 0,60 kWh
A soma é 1,40 kWh. A conta usada em cada linha é potência média multiplicada pelo tempo. Todos os valores foram escolhidos apenas para o exemplo. A média da refrigeração, especialmente, deve vir de medição ou de uma estimativa técnica do uso real; ela não representa a potência de partida do compressor.
Considere o caminho entre bateria e aparelhos
Suponha, ainda neste exemplo, uma eficiência de descarga e conversão de 90% entre a energia disponível na bateria e a energia entregue às cargas. Para entregar 1,40 kWh, seriam necessários aproximadamente 1,56 kWh disponíveis na bateria: 1,40 dividido por 0,90.
Partindo de carga completa, se o projeto hipotético reservar 20% da capacidade utilizável para outra finalidade, os 80% restantes precisariam conter aqueles 1,56 kWh. Sem arredondar etapas intermediárias, a referência seria aproximadamente 1,94 kWh utilizáveis: 1,40 dividido por (0,90 × 0,80). Esses percentuais são hipóteses didáticas, não recomendações nem características de um produto.
Capacidade nominal e capacidade utilizável podem ser diferentes; há também perdas no processo de carga e descarga. Confira como o fabricante apresenta cada medida. Se a especificação já informa energia utilizável entregue em corrente alternada, aplicar novamente a mesma perda pode contar o desconto duas vezes. Veja as definições técnicas de capacidade e potência.
Agora confira a potência
A soma das potências médias do exemplo, com todos os itens em uso, seria 0,26 kW. Esse valor não basta para dimensionar a saída do inversor: aparelhos podem variar seu consumo, e motores podem exigir potência maior na partida. Peça ao projetista a verificação da potência simultânea e dos picos, com as fichas dos equipamentos reais.
Uma proposta que informe apenas “bateria de 5 kWh” deixa perguntas abertas. Qual é a potência contínua disponível no modo de backup? Existe limite temporário de pico? O conjunto atende todas as fases e cargas que você pretende manter? Solicite as respostas referentes à configuração completa.
Compare o que será entregue ao longo do uso
Pergunte qual capacidade remanescente está coberta pela garantia, quais condições de operação se aplicam e se há limites por ciclos ou energia acumulada. Esses critérios variam conforme o contrato. Veja exemplos dos diferentes critérios técnicos de garantia.
No Brasil, o Inmetro inclui baterias e determinados inversores no escopo de sua regulamentação de equipamentos fotovoltaicos. Solicite a documentação aplicável aos modelos propostos. Confira o escopo informado pelo Inmetro. A decisão final deve combinar autonomia calculada, potência suficiente, condições de uso e uma margem justificada pelo profissional.
Revisado em 30 de setembro de 2026. Valores do exemplo são hipotéticos e não constituem dimensionamento executivo.